Belo Horizonte, 28 de Março de 2022
A partir da data de 1 de Janeiro de 2022, a OMS (Organização Mundial da Saúde), colocou em vigor a CID11, nova classificação, e com ela a síndrome de Burnout vai mudar para, palavras do próprio texto: “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”, anteriormente era tida como um problema na saúde mental e um quadro psiquiátrico.
Os principais sintomas de burnout são:
- sensação de esgotamento;
- cinismo ou sentimentos negativos relacionados a seu trabalho;
- eficácia profissional reduzida.
Mas afinal, como podemos distinguir a responsabilidade da empresa diretamente nos temas de saúde mental no ambiente de trabalho?
O Instituto Ipsos realizou uma pesquisa global sobre este tema, 53% dos entrevistados brasileiros relataram alguma deterioração na saúde mental em 2020. Foi a quinta maior alta entre os 30 países pesquisados.
Ainda sobre a pesquisa, existe um consenso entre os trabalhadores entrevistados que as companhias devem investir em saúde mental, 91% afirmam isso. E entre os CEO’s norte americanos, 92% confirmaram o aumento de investimento na saúde e bem-estar emocional dos colaboradores.
Mas em meio a estas iniciativas devemos tomar cuidado com medidas paliativas que não tratam a causa, apenas os sintomas. E trazem uma visão distorcida da percepção do que está sendo feito pela liderança, para o restante dos colaboradores, são elas: Day off, sala de descompressão etc.
Essas medidas como o Day off, não surgem efeito, no intuito de aliviar um pouco a pressão da rotina para o colaborador, no restante da semana o obrigam a trabalhar as vezes o triplo, para manutenção do ritmo e entregas.
Então quais seriam medidas mais significativas?
- Implemente um programa de saúde mental: tudo parte de existe orçamento para este investimento, assim como um planejamento de ações orgânicas e estruturadas;
· Ofereça psicoterapia como benefício: contratar e ter um canal com profissionais da área da saúde especializados para apoiar a equipe internamente;
· Treine a liderança: Importante ação para líderes saberem como agir, de forma a não comprometer a saúde mental do seu time. Além de existir mais conexão com as pessoas através de histórias, quando o líder traz seus exemplos e experiências este tema se torna mais natural.
· Flexibilize a jornada de trabalho: dar ao colaborados, na medida do possível, a autonomia de gerenciar suas próprias horas de trabalho, gera de maneira positiva uma diminuição do nível de estresse e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Estes são exemplos valiosos, mas um pilar que não deve ser descuidado é a comunicação. Colaboradores que tem líderes que comunicam pouco, tem cerca de 23% de chance a mais de desenvolver um problema de saúde mental. Pois, com menos informação, o cérebro fica mais ansioso, angustiado.
Considerando que saúde mental é um tema complexo, e que existe inúmeros fatores externos a organização que a empresas não consegue controlar, é importante manter sempre o diálogo aberto com as pessoas para minimizar qualquer sofrimento e conseguir direcionar melhor as soluções.



